poema do desafio/ O campo e a cidade

(dueto: estrofes em entrelace)

              

Maria Vitória Afonso

Fernando Reis Costa

 

Com sapatos de grosso atanado

Tendo longas carreiras de cardas

Eu ando feliz lá no montado

Apascentando gordas marrãs pardas

 

Confesso que me sinto até corado!

Eu, um Zé-ninguém como poeta

De fraca aptidão, se comparado

A esta escritora e poetisa completa!

 

Mas tenho um certo ar inspirado

De seres exóticos de mansardas

E invejo o escritor engravatado

Que percorre do mundo mil jardas

 

E assim fica um homem embaraçado;

- Eu que raramente uso gravata,

Ao sentir a honra de ser desafiado

Por esta poetisa, alentejana nata!

 

E por isso lhe lanço o desafio

De escrevermos belos versos a fio

Num debate entre o campo e a cidade

 

Mas entre o verde prado e o casario,

Aceito serenamente a sangue-frio,

Apesar de não esperar esta maldade.

 

Ideia especial, não sei se chore ou cante

Desculpe, poeta o meu desplante

A poesia é a nossa afinidade.

 

Então, sem hesitar um só instante,

E não sendo como ela tão brilhante

Eu quis ripostar a tal celebridade!

 

        

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