SER AVÔ...

Como o tempo passa!...

     Lembro-me, com se tivesse acontecido ontem, de quando nasceu o meu primeiro neto – o Tomás– , numa noite bem chuvosa, e de eu ter uma indescritível sensação de ansiedade e de alegria, só própria de quem vai ser avô pela primeira vez!...

     E já lá vão 14 anos, meu Deus!

     Ele e minha nora, após o nascimento, vieram para minha casa, e cá ficaram por uns breves dias.

     Tal era o meu entusiasmo, que fiz um cartaz numa folha grande de cartolina para lhes exibir à chegada, onde fiz uns bonequinhos com uma bola, um carro, e esta frase...”Seja bem-vindo o menino Tomás”!

     Pensei nesse momento para com os meus botões... – Deus permita que, pelo menos, eu possa existir ainda quando um dia fores para a escola!...

     Felizmente já lá vão 14 anos! O Tomás está hoje um homenzinho, no 9.º ano de escolaridade.

     E... depois do Tomás... nasceu o Miguel (que tem agora oito anitos); e, um tempinho depois, a minha filha brindou-me com duas netinhas tão desejadas: – a Matilde (que fez quatro), e...depois ainda, a minha “princesinha” mais nova – a Joaninha, que fez um aninho em Abril passado. Está agora naquela fase de mexer, de correr tudo, está um encanto! Chamar-me-ão de avô vaidoso. E sou... – Os meus netos são a minha maior felicidade!

     – Já lá vão 14 anos! Assim, a vida é bela e vale a pena viver!

     Obrigado filhotes: a ti, Feijó e nora Graça, por esses dois meninos lindos, meigos e inteligentes; a ti, Guida, e ao Francisco, por essas duas netinhas adoráveis, que são o meu mundo, as minhas jóias da coroa!...

*  *  * 

     BRISA AÇORIANA...

     A minha comadre D. Fátima Contente (comadre, porque é a mãe da minha nora), uma professora distinta, já aposentada como eu, teve a gentileza de me enviar há dias uns rabiscos seus (assim lhe chama também) que escrevera há anos, sobre sua terra natal, na ilha de S. Jorge. Que a D. Fátima me perdoe (pois não lhe pedi autorização) mas não resisti a transcrever aqui um excerto desse seu poema. Aí ficam uns versos seus...

    

ESTA ILHA DE S. JORGE …
 
…Longa …escarpada,
Altaneira, de nascentes
A correr fios de prata para o mar,
De lava ardente, escura,
Sobressai como gigante 
Ali ao centro.
Nas encostas verdes tons,
Casais, como presépios
Junto à costa a namorar.
 
Fajãs… do Mundo as únicas sem par
E as rosas e as hortênsias a enfeitar
Os «açafates» de pastagens 
Cheios de «vésperas»
Para levar ao arraial a rematar.
..... .....
No «terreiro» o batuque, o tambor,
Dos foliões a dançar,
Diante dos carros das bandeiras 
Que trouxeram o saco dos tremoços 
E o vinho para brindar.
No coreto a música a tocar 
E no Império a Coroa do Divino 
A rosquilha e os «castelos»
Pão bento a partilhar 
Pelo emigrante que a tal promessa 
Vem pagar.
..... .....
Hoje há matança! Que rica festa!
E nesta andança de biscoitos e aguardente  
«bichos-doces»  e  aventais  de  chita,
Logo ao serão haverá a chamarrita.
..... .....
Esta Ilha de S. Jorge …
A minha Ilha …a minha gente...
A minha Terra,
São um rosário de poesia,
Que o Mundo encerra!

                                       (Fátima Contente - 1992)

*   *   *

     Continuarei com os meus Rabiscos... Até breve!.. 

                     Nandus Julho 2006

                               
 

 

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